Uma pátria de meias e patacas

O BRASIL É MESMO A PÁTRIA DO PANETONE

Tudo aqui é festivo, ocasional, furtivo. Nossos protestos menores, nossas mágoas maiores. Tudo dura até o próximo verão, a próxima semana. Nunca, mais que a próxima eleição. Para conferir isso, basta lembrar que depois de renunciar ao mandato de senador, por ter violado o painel eletrônico do Senado, o intrépido José Roberto Arruda foi promovido - talvez pela evidência do pequeno delito - a governador de Brasília.

Na época de violador da democracia, ele foi achincalhado. Algumas eleições depois, condecorado, promovido, absolvido pelo próprio povo. Como no célebre poema de Augusto dos Anjos, “a mão que afaga, é a mesma que apedreja”. Isso é o Brasil, esta é a nossa tosca democracia, sustentada por um provincianismo primário, filha bastarda de nossa servil consciência cívica. Por Petrônio Souza Gonçalves

República de meias e patacas, de cuecões e gravatas, não vimos o amadurecimento dos Caras Pintadas, que guardaram suas fantasias após o primeiro carnaval. Tudo aqui é assim, teatral, banal, nunca original, como se o país fosse um eterno baile de carnaval. Para o movimento estudantil e os congressos universitários, os eternos piqueniques ideológicos, exercendo sua cota de democracia com a eleição desse ou daquele presidente da UNE, tão comprometido quanto alienado. Os protestos não são para mudar o país, para mudar nossa sociedade, mas sim para mudar a visão e o conceito que as pessoas têm sobre cada um de nós. Como somos desprovidos de civismo. Como pagamos caro por nossa tola e inocente consciência política.

Isso justifica nossa representação popular, desfilando seus fantasmas em plena luz do dia. Como podemos pensar em um novo país, em um Brasil melhor, tendo um congresso composto por homens do quilate de Paulo Maluf, de José Genoino, Jader Barbalho, Antônio Palocci, Fernando Collor, entre tantos outros, durante tantos anos de desmandos e prevaricações. Essa é a pátria dos mensalões e dos mensalinhos, uma nação bem mensalina, bem sem vergonha, que troca seu futuro, o seu voto, por uma cesta básica, por uma ajudinha. É o corrompido corrompendo o corruptor, coisas do nosso amado Brasil!

Sabendo bem como se faz greves e como se organiza protestos, o Brasil de Lula é um Brasil silenciado, domesticado, docilizado: dos movimentos sindicais à militância partidária; dos movimentos estudantis às Organizações Não Governamentais. Todos, por certo, registrando seu mensalão ideológico, sua verbinha providencial. É no Brasil da impunidade que a corrupção viceja, é no Brasil da passividade que os escândalos se repetem. Lamentavelmente!

A nossa democracia, o nosso parlamento, é mesmo uma festa à fantasia... Cada um interpretando um personagem, cada um nos aplicando uma trágica peça. Tem o que ama, o que protesta, o que ri. Tem também o mau e o cara de pau. E, no final, todos se banqueteiam e se coçam, em uma mesma festa.
Página 20 (Acre)- UOL - Petrônio Sousa Gonçalves é jornalista

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¡Perigo: vienen los Chávez...!

Publiquei esta coluna há 11 anos, em 6 de dezembro de 1998, no dia em que Hugo Chávez ganhou as eleições na Venezuela.

Diziam os avozinhos: “cuando las barbas de tu vecino veas pelar... pon las tuyas a remojar”. Mal faríamos em ver o processo eleitoral venezuelano como algo que não nos afeta e, pior, não assumirmos a lição, independentemente do resultado de hoje.

E o que está sucedendo na Venezuela é a antecipação do que pode suceder em muitos países e, logo mais, no nosso. Os partidos tradicionais estão conduzindo a saciedade popular de seu sistema político e quando o povo se farta, recorre a qualquer coisa, por estúpida que seja. E só descobrimos que o remédio foi pior que a enfermidade quando o paciente já está agonizando. Por Llobet T. Cayetano

¿Quem disse que não existe Chávez na Bolívia? Quem sabe, não com a boininha de ranger amanhecida, nem com a faixa de quartel de eterno sargento — porque não é mais que um sargento apesar de seu grau—, mas sim com a idéia de que a etapa dos partidos tradicionais terminou.

Palanque e populismo de ladeira já foi uma advertência. ¿Quem disse que o perigo já passou? Teríamos que ser cegos para não ver no horizonte de nossa política os perfis dos possíveis “salvadores” que estão afiando suas facas contra o sistema e, em nome de movimentos “generalizados” ou por mandato de irrenunciáveis heranças, se alistam para ser a alternativa.

E os partidos tradicionais — MNR, ADN e MIR— que são o triangulo da estabilidade institucional do nosso sistema democrático, estão empurrando o carro da desesperança popular e empurrando as “soluções” suicidas. Alguém desses partidos tem que fazer uma leitura correta da via venezuelana. Alguém tem que ver a Ação Democrática e os sociaiscristãos submersos em suas crises, imaginando saídas de emergência, com pateadas de advogado, porque não souberam imaginar a renovação de seu sistema político.

Movimentistas, miristas e adenistas, vivem felizes desfrutando suas desordens, acreditam em seus orgasmos de pavão real quando dizem que se democratizam, e se contam contos sozinhos, gozam olhando-se no espelho — sou o mais lindo, sou o mais lindo — sem dar-se conta de que cada vez mais são eles os que dão as costas.

Porque aqui, como na Venezuela, o povo, em sua maioria, está farto dos que nos oferecem renovação. Farto de deputados inúteis, designados a dedo pelo chefe, farto do peleguismo, farto de corruptos exaltados que se perdoam a si mesmos, farto de traficantes de corredores judiciais, farto de feudos de partilhas...

Cuidado, ¡por aí estão!: em envoltórios de bombons ou em botelhas de cerveja, os Chávez do nosso sistema político estão esperando a primeira oportunidade... ¡e já nos acercam!

Os povos desiludidos necessitam aferrar-se a algo e o mais provável é que se aferrem ao vendedor de bugigangas. Aos vendedores de promessas que dizem que vão dar tudo que o sistema tradicional da política não lhes deu. ¿Por que não comprar ilusões... ainda que sejam as dos Chávez?

E, efetivamente, chegaram os Chávez. Com rosto original e sua legião de corruptos, contrabandistas, ferrabrazes e verdugos. Os milhões de iludidos esperam, ¡felizes!, a ditadura...
Los Tiempos.com - Tradução de Arthur para o MOVCC


Leia também
Evo consolida 'refundação boliviana' - Com poder reforçado e oposição enfraquecida, ex-sindicalista deve vencer com facilidade eleição de hoje – Estadão

'Evo quer aumentar a produção de coca para tráfico' - Em entrevista ao 'Estado' por telefone, vice-líder nas pesquisas diz que Evo 'acabou com soberania do país' - O Estado de S. Paulo


COMENTÁRIO
Aos que imaginam que a eleição da Bolívia, renovando o mandato de Evo Morales é um assunto que não nos atinge, aguardem para ver o que vai acontecer com relação a entrada de drogas no Brasil e com a violência.

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Não há um único cúmplice de Lula preso

Os escândalos recorrentes no governo Luiz Inácio Lula da Silva chocam a nação desde 1º de janeiro de 2003. Nunca se desconheceu que havia no país um quadro de corrupção preocupante. Mas, com a subida da rampa do Palácio do Planalto por Lula e sua turma os desmandos superaram o inimaginável.

Desde o mensalão - alguns dos principais auxiliares do presidente da República foram apontados pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, como corruptos e denunciados por corrupção e formação de quadrilha -, passando pelo episódio das sanguessugas, dos cartões corporativos, pelo enriquecimento espetacular de Lulinha, até chegar à quebra de sigilo bancário de "um simples caseiro" e da produção de dossiês para chantagear adversários, como FHC e dona Ruth, aconteceram falcatruas no governo do PT capazes de ruborizar qualquer patife.

O que não impressionou Lula, que a cada escândalo vai à praça pública defender a inocência da companheirada. De resto, Lula chegou ao cúmulo de defender até José Roberto Arruda, sob o argumento de que as imagens de recebimentos de propina pelo governador e seus assessores não falavam por si...do Site do Aleluia

LEIA MATÉRIA DE O GLOBO
Escândalos de corrupção: de cada dez ações contra autoridades públicas no STJ, 4 sequer são concluídas

De escândalo em escândalo, o Brasil se acostumou a ver dinheiro em malas, meias e cuecas - como nos recentes
mensalões do PT e do DEM. Mas a marca dos escândalos brasileiros é a impunidade. Segundo reportagem de Evandro Éboli, publicada na edição deste domingo do jornal O GLOBO, levantamento da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB) revela que, das ações contra autoridades no Superior Tribunal de Justiça (STJ), 40% prescrevem ou caem no limbo do Judiciário.

No Supremo Tribunal Federal (STF), o percentual é de 45%. As condenações de autoridades são apenas 1% no STJ - muitas convertidas em penas pecuniárias irrisórias - e inexistem no STF. Desde que foi criada, há 17 anos, a Lei de Improbidade Administrativa condenou 1.605 pessoas.

Para juízes, cientistas políticos, psicólogos e procuradores ouvidos pelo GLOBO, punir corruptos é o caminho para concluir a democratização brasileira, que trouxe o aumento da fiscalização da gestão pública.

"Mas não conseguimos consumar a punição, ponta final do processo. O percurso precisa ser fechado urgentemente", alerta a cientista política Rita Biason.

Com partidos minados por denúncias de corrupção,
falta porta-voz para a bandeira da ética

"É grave, porque pode dar condições para candidatos identificados com o 'rouba, mas faz' ganharem espaço", avalia o cientista político Leonardo Barreto.

Por que corrupção não dá cadeia no Brasil?
Cerca de 40% das ações contra autoridades no STJ prescrevem ou caem no limbo; condenações são só 1%

De escândalo em escândalo, o Brasil se acostumou a ver dinheiro em malas, meias e cuecas - como nos recentes mensalões do PT e do DEM.

Mas a marca dos escândalos brasileiros é a impunidade: levantamento da Associação dos Magistrados Brasileiros revela que, das ações contra autoridades no Superior Tribunal de Justiça (STJ), 40% prescrevem ou caem no limbo do Judiciário. No STF, o percentual é de 45%. As condenações de autoridades são apenas 1% no STJ - muitas convertidas em penas pecuniárias irrisórias - e inexistem no STF. Desde que foi criada, há 17 anos, a Lei de Improbidade Administrativa condenou 1.605 pessoas.

Para juízes, cientistas políticos, psicólogos e procuradores ouvidos pelo GLOBO, punir corruptos é o caminho para concluir a democratização brasileira, que trouxe o aumento da fiscalização da gestão pública. "Mas não conseguimos consumar a punição, ponta final do processo. O percurso precisa ser fechado urgentemente", alerta a cientista política Rita Biason.

"É grave, porque pode dar condições para candidatos identificados com o "rouba, mas faz" ganharem espaço", avalia o cientista político Leonardo Barreto. Novo vídeo do escândalo do Distrito Federal mostra que Marcos Valério, operador do mensalão do PT e do PSDB-MG, teria se beneficiado em contrato, e outro compromete o vice Paulo Octávio.

"O cidadão é refratário: o que a autoridade pode fazer, ele também acha que pode" - RITA BIASON, cientista política

"Os tribunais precisam compreender que quem desvia verbas públicas é mais perigoso do que criminosos comuns" - JANICE ASCARI, procuradora da República

"Para detectar um corrupto nas eleições, é preciso analisar com profundidade a consistência de suas promessas e suas atitudes. Quando um político tiver uma solução fácil para tudo, desconfie" - HILDA MORANA, psiquiatra

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O Lulismo chavista apresenta o Chaveco

Nosso Guia quer convocar a Constituinte, mas não diz que só se consegue isso com o país em estado de choque

Quando Lula disse em Kiev que "os partidos políticos deveriam estar defendendo, neste momento, para depois das eleições de 2010, uma Constituinte específica para fazer uma legislação eleitoral para o Brasil", ele informou que no seu baralho há a carta do chavismo plebiscitário. Melhor dizendo, do chaveco.

Lula atribui as malfeitorias do PT e do DEM a imperfeições das leis eleitorais. A solução estaria numa reforma política e acrescenta que já mandou dois projetos ao Congresso, mas eles não andaram. Há aí uma mistura de bobagens com fantasias. Por Elio Gaspari

Bobagem é dizer que o governo mandou projetos de reforma política ao Congresso. É fantasia que se tenha empenhado no assunto. O que o PT quer é o financiamento público de campanha e o voto de lista para a escolha dos deputados. Ganha uma vigem à Ucrânia quem acha que o financiamento público impedirá o movimento dos maços de dinheiro do governador José Roberto Arruda e dos aloprados da campanha do senador Aloizio Mercadante. Ganha um fim de semana em Caracas quem acredita que o sistema político brasileiro melhorará se as direções partidárias do DEM, do PT e do PSDB passarem a determinar as chances de seus candidatos serem mandados à Câmara.

Tudo isso é pouco diante da proposta da Constituinte. Lula diz bobagens absolutas ("minha mãe nasceu analfabeta"), mas deve-se prestar atenção nas batatadas que, parecendo bobagens, são espertezas, das boas. Nosso Guia sabe que só se pode convocar uma Constituinte com três quintos do Senado (49 votos) e da Câmara (308 deputados). Ele sabe que não tem esses votos e que não os conseguirá sem que a política brasileira entre num estado de choque.

Como conseguir os três quintos? Emparedando o Congresso, botando nas ruas os companheiros das centrais sindicais e dos movimentos sociais (uma viagem a Cuba para quem souber o que é isso). É uma manobra difícil e perigosa, João Goulart que o diga. No estilo de Nosso Guia: o dado concreto é que, de mansinho, o presidente da República colocou a carta da Constituinte no baralho do debate político.

Teme-se que o Lulismo deságue num Chavismo. Nessa batida, apareceu o Chaveco.

A PATRANHA DE JOBIM COMPLETOU DOIS ANOS
Transcorreu sem sobressaltos o segundo aniversário do dia em que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, convocou a imprensa e anunciou a maior lorota de seu mandarinato. Em dezembro de 2007 ele informou que o governo concluíra um pacote de medidas para ressarcir os passageiros de companhias aéreas que ralassem atrasos nos aeroportos ou não conseguissem embarcar porque as empresas venderam mais passagens do que podiam. Coisa fina. Num voo do Rio para Brasília o passageiro seria ressarcido em 5% do valor do bilhete caso o voo atrasasse mais de meia hora. O percentual subiria, chegando a 50% nos atrasos superiores a cinco horas. A compensação poderia ser dada com milhas.

O ministro disse que o plano entraria em vigor logo depois do Carnaval de 2008, por meio de uma medida provisória. Cadê?

O Ministério da Defesa garante que o projeto da MP está na Casa Civil. Cadê? Nem MP, nem iniciativa do governo remetida ao Congresso, onde tramita, desde 2004, um projeto da senadora Serys Slhessarenko. Na sua versão atual ressarce as vítimas de overbooking e pega pesado no caso dos atrasos superiores a duas horas. Pelo jeito, tramitará por mais cinco anos.

Quem acreditou em Jobim fez papel de paspalho. Ele não voltou a falar do assunto e a doutora Solange Vieira, da Anac, acha que o consumidor maltratado tem mais é que procurar o Procon. Boa ideia, para dar queixa da propaganda enganosa de Jobim.

BOBEIRA
Os companheiros Obama e Lula estão brincando com coisa séria. O contencioso das relações Brasil-Estados Unidos está se expandindo e nenhum dos dois países tem embaixador morando na capital do outro. Quando Obama chegou à Casa Branca havia divergências na área comercial, e só. De lá para cá apareceram as bases colombianas, os golpistas hondurenhos, o flerte do Brasil com o Irã e até o garoto Sean. O chanceler Celso Amorim parece estar em busca de uma encrenca que lhe permita montar um palanque antiamericano - Folha de S. Paulo

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Ladroagem Política

Material muito interessante de Luis Marin, publicado ontem no Diário de América, questionando “se a insegurança, a onda de crimes, corresponde a uma política de Estado”.

Ele comenta que na Venezuela não se encontra um só traço que permita definir o processo como "revolução", em mudança, mas existem vários pontos para identificá-lo como uma cleptocracia, um simples governo de ladrões

Ao expor inúmeros crimes cometidos por agentes do Estado, a desmoralização dos homens de bem, os métodos, o autor demonstra com clareza os vínculos entre os "revolucionários e os criminosos", que coincidem à margem da lei.

A Cátedra Pío Tamayo pergunta se com a situação financeira¿ começou o colapso final da revolução socialista bolivariana? E a resposta é sim, com a ressalva de que não se trata do começo, mas sim da continuação de uma decadência que tem múltiplas manifestações, internas e internacionais.

Mas esta pergunta está relacionada à outra: ¿ A insegurança é uma política de Estado? Aqui as opiniões se dividem – desde a de um pai Palmar dizendo que "obviamente", até outros corifeus da alternativa democrática que dizem "não, de jeito nenhum", passando por aqueles que sustentam que não se deve politizar a questão da segurança, como se não fosse uma política pública o que está sendo discutido.

O fato indiscutível é que a taxa de criminalidade (homicídios, roubos, seqüestros, extorsão, tráfico de drogas, fraudes) tem experimentado um aumento na última década de tal magnitude que é a única que ultrapassa os índices de inflação durante o mesmo período, de modo que o Estado, ou está fazendo, ou deixando de fazer, alguma coisa para produzir este resultado.

Outro fato incontestável é o crescente envolvimento de policiais e militares na prática de tais crimes, a tal ponto que o ministério do Interior e Justiça foi obrigado a reconhecer, para moderar as cifras, que mais de 20% dos delitos são cometidos por agentes oficiais.

O massacre de estudantes no Bairro Kennedy, perpetrado por agentes da Direção da Inteligência Militar (DIM) e o do CICPC, onde não só surpreendeu o sadismo dos assassinos, mas a montagem que fizeram para ocultar o crime.

Para não voltar para o crime de Danilo Anderson, nem ao de Antonio Lopez Castillo e outros relacionados com o caso perpetrado pelo Disip e CICPC. Basta recordar dos três irmãos Faddoul e do seu motorista, seqüestrados em um posto da polícia metropolitana e, em seguida foram mortos em circunstâncias nunca esclarecidas.

O assassinato da psicóloga em San Augustin do Sur, perseguida, encurralada e crivada de balas por quatro policiais da Câmara de Caracas (Município Libertador).

Da mesma forma, o assalto e profanação da Sinagoga em Caracas, executado por um comando combinado de agentes da Polícia Metropolitana, pelo CICPC e a polícia de Caracas (Tarek El Aisami e Jorge Rodriguez), em uma operação que usaram veículos equipamentos de comunicação, armas e procedimentos próprios desses corpos policiais.

Aqui o que é mais marcante é que eles permaneceram a noite toda no recinto forçando com pé-de-cabra os caixas fortes para levarem, não o dinheiro que deixaram lá integralmente, nem os objetos de valor, mas a base de dados que continha o registro dos membros da comunidade judaica na Venezuela.

O mais abrumador é que logo depois do governo oscilar entre dizer que não tinha nada a ver com o assunto (embora todos os autores fossem policiais), jogou a culpa na oposição, chegou até a acusar os meios de comunicação de estarem montando uma matriz de opinião para acusar o regime, ignorando o fato que coincidiu com o encerramento da embaixada israelense em Caracas, a expulsão do embaixador e a condenação do Estado judeu como "genocida", tudo feito pelo mesmo governo.

O denominador comum entre estes casos é que foram reconhecidos pelo regime, alguns dos agressores foram detidos, julgados e até condenados; mas seus rostos não foram mostrados ao público, que pelo visto não tem o direito de conhecer quem o martiriza, nunca foram entrevistados pela imprensa, não foram questionados ou interrogados, não se conhece seus motivos, nem à quê ou a quem respondem.

Mas, quando uma comissão do CICPC foi de Caracas para Valência para capturar o líder estudantil Julio Rivas, logo depois o apresentaram como ele se fosse um criminoso e também sua organização Juventude Ativa Venezuela Unida (JAVU) como se fosse uma organização criminosa, os burocratas da Venezuela de Televisión aproximaram seu rosto das câmaras e lhe fizeram perguntas capciosas, para expô-lo ao escárnio público; o que nunca acontece com nenhum criminoso convicto e confesso, muito menos quando se trata de "agentes da ordem pública".

Neste ponto, é indispensável repensar a pergunta: se o auge delitivo corresponde ou não a uma “política de Estado”.

VÍTIMAS. Outro aspecto marcante é a prisão de policiais honestos, como a dos comissários Ivan Simonovis, Henry Vivas, Lázaro Forero e dos seis policiais metropolitanos, acusados e condenados à pena máxima de 30 anos de prisão pelos eventos de 11 de Abril de 2002.

Este castigo desproporcional só pode ser explicado pelo desejo de destruir a ascendência moral, a autoridade que possam ter sobre seus homens, a fim de combater suas influências, de fazê-los perder todo respeito que conquistaram ao longo dos anos de serviço impecável, para impor uma referência oposta.

O problema é que quando se trata de destruir a ascendência moral de um comandante legítimo sobre seus homens, corre-se o risco de destruir a moral do próprio corpo. Isso ocorreu na PM, porque ninguém calculou qual pode ser o efeito desmoralizador da perseguição de pessoas respeitáveis, enquanto se incumbe indivíduos desapreciáveis, com o único expediente do servilismo e da corrupção.

Isto é válido tanto para o Corpo de Bombeiros de Caracas como para a PDVSA e a qualquer organização hierárquica, cujos comandos se apóiam nas auctoritas de seus chefes.

Funde nos corpos de segurança a desmoralização e o desconcerto, falta de direção, objetivos claros e recursos: isto joga a favor de seus inimigos naturais, a delinqüência.

Por outro lado, se desarma as polícias municipais não controladas pelo poder executivo, as empresas de vigilância privada e até mesmo militares aposentados, em resumo, toda a população civil; enquanto se cria uma "polícia nacional” que não está a serviço dos cidadãos, mas sim do poder central. Isto é dizer - uma outra ferramenta de controle e de intimidação.

Neste contexto, a crise financeira parece ser a cereja do coquetel. As andanças do que aparece como um bode expiatório, não pode separar-se da questão da economia de porto, do auge importador, que é outra política de Estado.

Do narcotráfico e outros tráficos, como o de pessoas e mercadorias, que vão desde hidrocarbonetos e seus derivados, ouro, diamantes, urânio até armas de todos os calibres e de capitais, branqueados ou tirados do pressuposto paralelo.

Casualmente, estes foram os cargos pelos quais Castro fuzilou em 1989 o general Arnaldo Ochoa, herói da revolução cubana, responsável por triangular este mercado no Panamá Manuel Antonio Noriega.

Mas o mecanismo permaneceu intacto e operando, quase que com os mesmos atores.

Perpetrador. Teoricamente este tema deveria ser abordado entre a política e o crime, que resulta tanto mais complicado na medida em que se constata que, entre essas dimensões, existem mais vasos comunicantes do que tanto os políticos como os delinqüentes estão dispostos a reconhecer ou confessar.

Muito mais complicado quando se trata da relação entre a revolução e o crime, porque, como todos sabem, os vínculos entre os revolucionários e os criminosos são mais do que de familiaridade e de camaradagem, como o de compartilhar certos objetivos comuns: o enfretamento franco e direto com o ordenamento jurídico.

Certamente, as revoluções autênticas, muito mais do que as paródias de revolução, implicam uma ruptura com a ordem estabelecida com o objetivo de substituí-la por outra, considerada mais justa e adequada aos tempos que virão.

Assim que os revolucionários e delinqüentes coincidem à margem da lei, temporalmente ao menos, tecendo laços de cumplicidade tanto na prisão como na clandestinidade, perseguidos por um inimigo comum, as forças policiais.

Tampouco eles diferem em seus métodos, porque os revolucionários lançam mão dos procedimentos do submundo para prover-se de recursos, realizarem atos de terrorismo e propaganda. Isto vai desde a máscara, o disfarce, a mudança de nomes, o uso de armas de fogo e explosivos, execução e assaltos à mão armada, seqüestro, extorsão, chantagem, que qualificam como expropriações ou impostos revolucionários, conforme seja o caso.

É proverbial no desprezo que professava Lênin contra os escrúpulos morais dos social-democratas que consideram fatal para o prestígio do partido a associação com os elementos do crime, o que ele qualificava como de "prejuízos pequeno-burgueses". Pelo contrário, mostrou uma exultante satisfação ante a audácia dos bandidos, que não pretendiam vínculo algum com a “boa sociedade”.

Absolutamente todos os partidos leninistas conservaram esta atitude como uma questão de princípio. Adotam não só os métodos, mas também a mentalidade do submundo, em particular, o repúdio à delação, como a pior transgressão ao código profissional, unido à devoção pela mentira, especialmente para negar os próprios crimes (negacionismo).

Por seu lado, a sociedade decente não investiu nenhum esforço para avaliar o significado e as conseqüências de um Estado que caiu nas mãos de sujeitos que se identificam com um, aliás, segundo o uso dos baixos fundos.

Isso aconteceu na URSS de Lênin e Stalin, por exemplo, que significou uma ruptura com todas as formas de respeitabilidade, do bom nome. Não pense que estes eram sobrenomes de família. O de Vladimir Ilich seria "Volodia", mas na verdade o obteve na clandestinidade; Stalin conseguiu o seu na cadeia.

Em contrapartida, os democratas de todo mundo consideram isto como uma forma de acercar-se aos modos populares, considerando o mais apropriado encontrar um sobrenome que os comunique com o "povo" como "Lula".

Uma vez alcançado o poder, os revolucionários sucumbem ao paradoxo do ladrão, que agora exige respeito pela propriedade privada que tenha sido roubada. Eles devem estabelecer uma nova ordem, uma nova legalidade e esta impõe ao infrator a disjuntiva de assimilar-se ou de voltar às suas habituais andanças, para ser perseguido por seus antigos camaradas.

Na Venezuela não se encontra um só traço que permita definir o processo como "revolução", em mudança, mas existem vários pontos para identificá-lo como uma cleptocracia, um simples governo de ladrões

É previsível que a luta pelo botim produza alguma convulsão. O grave é que não seja para depor o regime, mas para consolidá-lo.
Diário de AméricaTradução de Arthur para o MOVCC

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Bolívia rumo a "cocainização"

A tendência de cair em uma espécie de cumplicidade coletiva com o narcotráfico e seus benefícios econômicos é uma das conseqüências do fenômeno

Em 26 de Novembro passado, sob o título: "A coca, grande ausente do debate eleitoral", dissemos neste espaço editorial que uma das características mais notáveis das campanhas foi a forma sistemática como os principais candidatos decidiram omitir as grandes questões relativas ao presente e futuro da nação.

"Menção especial neste contexto é o problema da coca, seu processamento em cocaína, e as enormes conseqüências que tal cadeia produtiva e comercial tem sobre a estrutura econômica e social do nosso país". Editorial Los Tiempos.com

"Chama muito a atenção, portanto, que o tema não figure entre os pontos mais importantes do plano de governo de qualquer candidato" (..) "E enquanto isso acontece, multiplicam-se as evidências de que a coca e sua transformação está se convertendo no principal sustento e motor da economia nacional, envolvendo direta e indiretamente a milhões de pessoas e suas respectivas famílias ".

Mas como poderia ser de outra forma, que o problema tenha sido ignorado, não é suficiente para que ele deixe de existir. E foi por isto que a revista Veja, uma das mais importantes no Brasil, dedicou uma ampla reportagem intitulada "Coca para ele, cocaína para nós", referindo-se a Evo Morales, a forma como este país afeta o exponencial crescimento das atividades relacionadas à produção e o processamento de coca em cocaína na Bolívia.

Segundo a revista brasileira, em quatro anos, a produção de pasta de coca e de cocaína aumentou 41 por cento na Bolívia. A maior parte é enviada para o Brasil, onde ele gera o vício, a criminalidade e a corrupção. "Grande parte da droga que entra no Brasil é proveniente de países vizinhos, destina-se a outros consumidores, porém a que fica no país é principalmente da Bolívia, a de pior qualidade. Das 40 toneladas de cocaína consumidas anualmente no Brasil, mais de 80 por cento vem da Bolívia”.

Na verdade, nenhum dos dados com os quais a Revista Veja respalda suas afirmações é novidade. Pelo contrário, se há algo tão óbvio que não dá lugar à controvérsia é que nos últimos anos, as atividades ligadas à coca e a cocaína aumentaram se multiplicaram de maneira dramática. Tanto, que não passa um dia sem que haja notícias sobre a proliferação de laboratórios, cada vez mais modernos, em todo o território nacional.

Por seu lado, as estatísticas econômicas refletem uma bonança que não se explica pela atividade produtiva legal, mas pelos milhões de dólares provenientes do narcotráfico que são injetados diariamente na economia nacional, e que confirmam a magnitude do fenômeno.

As conseqüências que esta situação trará o futuro da nação não são difíceis de prever. Entre elas, a tendência para cair em uma espécie de cumplicidade coletiva, não é a menor.
El Tiempo.com


Leia também:
Evo massifica sua imagem e eleição parece ter candidato único na Bolívia - O analista Roberto Laserna, professor da Universidad Mayor de San Simón e pesquisador do Centro para Estudos de Realidade Econômica e Social em Cochabamba, acredita que a predominância de cartazes a favor de Evo é reflexo do desmantelamento do sistema institucional vigente - O Estado de S. Paulo


Oposição perde apoio em Santa Cruz - Caso de supostos mercenários contribui para debilitar movimento – O Estado de S. Paulo


Famílias de suspeitos de terrorismo vão processar o Governo
Os familiares dos três supostos terroristas mortos em uma operação policial em Santa Cruz, em abril passado, anunciaram que vão iniciar uma demanda internacional contra o Governo boliviano.

Segundo o The Times, o deputado do (PODEMOS), Bernardo Montenegro que está na Hungria, afirmou para as famílias de Michael Martin Dwyer, irlandês e do romeno Arpad Magyarosi, estão determinadas a apresentar uma demanda por "execução sumária" de seus parentes, em 16 de abril.

Montenegro viajou para a Europa na semana passada com seu colega Paul Banegas para investigar os laços do grupo de alegados terroristas no continente.

Segundo o The Times, deputados da oposição se reuniram ontem com funcionários do governo e parlamentares da Hungria e também com parentes e Magyarosy Toas.

Montenegro informou ter recebido o relatório da autópsia forense realizado por peritos Magyarosy húngaros, que conclui que houve uma “execução”. Ele acrescentou que os representantes dos governos da Hungria e Irlanda que se encontraram com eles, expressaram seu descontentamento porque a Bolívia não tem ainda resposta aos seus pedidos de informação sobre a operação policial. No caso da Irlanda, o pedido oficial foi enviado ao Ministério das Relações Exteriores boliviano, em outubro passado. EFE / La Paz –

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Lula mostra "el bojote"

Tradução necessária: Que é Bojote? No sentido literal:

bojote (n.m.)
basura, bosta, caca, cagadas, cagajón, cagarruta, excrementos, freza, majada, mojón, palomino

bojote (n.m.) (latinoamericano)
envoltorio, fardo, hato, lío


A matéria: FALTAVA O DETALHE: uma constituinte. Ele acaba de somar-se à idéia de convocá-la. ¿Ou você acredita que tendo 70% de popularidade, ele vai perder o Poder da oitava economia mundial? Por
Pedro Lastra

Lula não recebeu Ahmadinejad, em Brasília, por simples cortesia de Estado: sua defesa ardente ao déspota iraniano e seus afagos ao armamento nuclear para acabar com Israel, diante da chanceler alemã, Angela Merkel, demonstram a existência de um compromisso maior do que apenas uma saudação protocolar durante uma inócua visita de Estado. Lula pertence à ALBA e a UNASUL, e entoa a mesma música que Rafael Correa, Evo Morales, Hugo Chávez e, claro, dos irmãozinhos Castro. Tudo começa com o velho Fidel, a ultraesquerda latinoamericana e as narcoguerrilhas no Foro São Paulo.

Em outras palavras, e que mal lhe pese aos seus amigos venezuelanos que levaram anos vendendo-nos sua figura como a de um exemplar democrático - e refiro-me principalmente a Teodoro Petkoff, mas também a Paulo Medina - que jura ser seu melhor amigo - Lula começa a mostrar o bojote. Aqueles que seguiram as ações de Marco Aurélio Garcia e seu embaixador ante à OEA, quando da crise venezuelana e o Referendo Revocatório, ssabem que Lula era o esteio principal e de primeira linha de Chávez no hemisfério. Foi ele quem blindou diplomaticamente o Chávez, foi ele quem respaldou a canalha da Carter–Gaviria, foi ele quem amarrou a OEA para impedir qualquer insurreição antichavista

Era o lógico: não somente como expressão do apoio incondicional à mexida fraudulenta castro-chavista, criada por técnicos cubanos que hoje implementam com igual desfaçatez o método na Bolívia, ante a estúpida paralisia política e o escandaloso silêncio dos candidatos da oposição boliviana. Nem mesmo como forma de agradecer-lhe o financiamento de sua campanha, silenciado pela discrição escamoteada de seu aparato operacional dirigido por Marco Aurélio Garcia. Mas como parte da estratégia combinada do Foro: tomar o poder por todos os meios, aproveitando tanto da catalepsia dos estabelecimentos políticos dos vários países da região como do descrédito dos exércitos latinoamericanos, castrados politicamente pelo fracasso e pelo mau nome que lhes acarretaram suas sinistras ditaduras.

Daí a estratégia: atacar por todos os flancos, demolir a estabilidade dos sistemas políticos da região, derrubar presidentes, recorrer às eleições e uma vez no Poder, demolir a institucionalidade com plebiscitos, constituintes e quantos meios lícitos e ilícitos, legais e fraudulentos, corruptos e inescrupulosos, como o narcotráfico, e o que mais estiver ao alcance das mãos. Chávez na estratégia: apoderar-se do petróleo venezuelano, da OPEP e do mercado petroleiro para financiar a nova corrente revolucionária continental. Nem Escobar Salom, nem Uslar Pietri, e nenhum dos notáveis, possivelmente, sequer Luis Miquilena, sabiam que eram tão idiotas úteis do Foro.

A jogada de Honduras mostrou a verdadeira cara do Lulismo. Sua defesa vergonhosa de Ahmadinejad, sua participação no entendimento com o radicalismo do talibã. Lula é o outro lado da moeda do totalitarismo avançado na América Latina, aceitável nos salões da política mundial. Na realidade é tão sinistro quanto Hugo Chávez e muito mais inteligente e poderoso. Se não segue seu comportamento é porque não é o papel que lhe corresponde no cenário que deve ocupar.

Faltava o detalhe: uma constituinte. Ele acaba de somar-se à idéia de convocá-la. ¿Ou você acredita que tendo 70% de popularidade ele vai permitir perder o poder da oitava economia mundial?
Noticiero DigitalTradução de Arthur para o MOVCC


COMENTÁRIO
Convenhamos: Todo mundo só está enxergando o “bojote” de Lula agora, porque ele decidiu mostrá-lo; até então, ninguém enxergava nada, muito pelo contrário, viam em Lula um exemplar de respeito à democracia. Tanto assim, que nas pesquisas anuais da ONG chilena Latinobarómetro, nosso anão sempre apareceu entre os mais populares ao lado (ou logo atrás) de Álvaro Uribe.

Tenham certeza de duas coisas: Primeiro, Lula decidiu mostrar seu “bojote” e não foi sem razão. Segundo, ele é mesmo mais sinistro e perigoso que Chávez, porque ilude mais.

Pelo menos agora, a maioria está enxergando que o “bojote” de Lula é cabeludo, cheira mal como uma pústula que devora e apodrece tudo que toca. Por Arthur/Gabriela



Mais um "bojote" de Lula:
BOLÍVIA E BRASIL CONTRA A INDEPENDÊNCIA DE KOSOVO

Bolívia e Brasil se declararam ontem que são contra a declaração de independência de Kosovo, de fevereiro de 2008, porque entendem que o princípio de integridade territorial, neste caso da Sérvia, foi violado com a sucessão de kosovar.

Na representação da Bolívia, o embaixador desse país na Holanda, Roberto Calzadilla, manteve perante os juízes que a posição de que a declaração unilateral de independência de Kosovo “não está de acordo com o Direito Internacional”.

Para Bolívia a sucessão kosovar supôs a violação da resolução 1244 da ONU de 1999, a qual não “provia o governo provisional de Kosovo aa capacidade de declarar-se independente”.

Os autores da declaração de independência estavam obrigados sob o Direito Internacional a “respeitar a soberania e a integridade territorial” do Sérvio

Para Bolívia, “o direito de autodeterminação só deve ser contemplado no caso de colonialismo” onde exista uma ocupação estrangeira sobre um território.

O Brasil subscreveu argumentos similares aos da Bolívia e especificou que “as instituições de governo provisional tinham um grau de autogoverno /
EFE /EL DIA


NO DESVIO:
PARA DIZER o mínimo, é ingênua a visão de Lula de que os EUA e Rússia “não têm moral” para criticar o Irã. Uma coisa são países que saíram da Guerra Fria sentados sobre enormes arsenais nucleares, mas que negociam a sua redução e participam de fóruns multilaterais voltados ao assunto.

OUTRA É um país subjugado por uma ditadura teocrática, radical, imprevisível, e que se recusa a dar demonstração efetiva de que desenvolve um programa nuclear com fins pacíficos. Pois a única forma de dar esta demonstração é abrir-se à supervisão internacional, como faz o Brasil.

AO APOIAR o execrado Ahmadinejad, Lula coloca o Brasil ao lado de um candidato a protagonizar uma catástrofe de proporções apocalípticas. Faz lembrar quando Getúlio demonstrou simpatias com Hitler. Opinião O Globo

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Treze teses para entender o MST

Enredado em laranjais, desmatamentos ilegais, a ameaça de uma CPI e infindáveis ações, muitas conduzidas sob impressionante primarismo político, talvez seja oportuno um sucinto balanço sobre o MST, um quarto de século após a sua fundação. Como estudo a organização antes mesmo de ser formada, em 1984, ofereço algumas teses para aqueles que têm interesse nos processos sociais rurais e, particularmente, curiosidade sobre o movimento.

Sobre a sua natureza: não obstante o nome, o MST deixou de ser um movimento social há muitos anos, pois logo se estruturou como uma organização, centralizada no essencial (as formas de luta política e as principais bandeiras), mas descentralizada no varejo, ou seja, liberando a criatividade local. Por Zander Navarro

Sociologicamente, movimentos sociais supõem algum grau de espontaneidade na ação e uma liderança flexível, o que o MST não apresenta desde os anos 80. Já as organizações, entre outros aspectos, criam carreiras, e atualmente o Movimento mobiliza centenas de militantes que não sabem desenvolver outra atividade, senão a agitação social.

Os "tempos do MST": a organização nasceu, de fato, na segunda metade dos anos 90, quando passou a frequentar a agenda nacional. Antes era sulista e menos conhecida.

Na mesma época, alterou o seu mecanismo principal de financiamento, até então provido pela generosidade de igrejas europeias, pois descobriu os furos das burras do Estado, com o início do processo de reforma agrária e a constituição do MDA, entre outras fontes estatais, das quais extrai os fundos, via entidades fantasia.

Mas continua recebendo recursos externos. A chance perdida: a "Marcha a Brasília", em abril de 1997, foi o único momento em que uma organização popular encurralou o governo de Fernando Henrique Cardoso, forçado a receber os sem-terra no Planalto. Seria o momento ideal da institucionalização, pois foi o auge da influência e do prestígio do MST. Poderia se transformar em agremiação sindical dos mais pobres do campo.

Seus líderes, contudo, preferiram a semiclandestinidade, contra uma sociedade que afirmava, cada vez mais, a sua natureza democrática. Sem surpresa, desde então os impasses se multiplicaram, pois esta esquizofrenia política não teria como prosperar.

As alianças na sociedade: cresceram no final da década passada, mas vêm estiolando nos anos recentes. Parece que a população foi cansando de tantas estrepolias não democráticas. Nascido no campo petista, onde está firmemente enraizado, mesmo o PT parece enfastiado com uma organização autoritária que perdeu a sua razão de existência e atira a esmo, enfraquecida porque não tem mais uma agenda própria.

Atualmente, apoiam-no setores do catolicismo radical, pequenos grupos em universidades públicas, notadamente cientistas sociais, algumas facções partidárias e, especialmente, estudantes. Demanda social pela reforma agrária: embora voz isolada, sustento que não existe mais demanda significativa, em quase nenhuma região, que justifique um programa nacional de reforma agrária.

Quando muito projetos regionais teriam alguma inteligibilidade, como no Nordeste, por exemplo. É preciso ter a coragem de mudar tudo nesta área, sob pena de manter um surrealismo institucional que desperdiça recursos públicos acintosamente, pois movido unicamente pela inércia e o corporativismo.

Ilusões públicas: o tamanho aparente do MST é muito maior do que a sua expressão real, sendo esta uma de suas armas decisivas para se manter à tona. Usando aliados e espaços da sociedade, amplifica fatos menores e eventos sem expressão, sugerindo ter uma força desmedida. Estrangeiros se confundem com esta paralaxe política, e no exterior se lê com frequência a risível afirmação sobre o "maior movimento social do planeta".

Não apenas parece maior do que é, mas o MST tem, na realidade, reduzido sua capacidade de recrutamento e mobilização. Se observadas criteriosamente, as ocupações de terra e outras ações têm diminuído, em número e tamanho. Fosse viável apurar, se concluiria, além disto, que a maior parte daqueles que nelas participam não são sem-terra, mas assentados e seus familiares, recrutados frequentemente sob formas variadas de intimidação.

O poder da propaganda: no melhor estilo "agit-prop" dos antigos partidos comunistas, o MST se apropriou de parte da sociedade civil, a quem domina e usa os recursos a seu favor.

Como é uma "organização dos pobres", somente uma minoria contesta o autoritarismo do movimento, desgostosos com posturas que algumas vezes beiram o protofascismo. Existindo um fio capilar que perpassa o MST, o campo petista e, mais genericamente, "a esquerda", poucos confrontam aqueles comportamentos, temendo a represália política.

O entrave principal: o MST não se moderniza porque é preso à visão neolítica de seu dirigente maior, que é, de fato, o dono da organização, para usar um termo apropriado, embora deselegante. Egresso do antigo MR-8, nos anos 70, o leninismo de João Pedro Stédile é que tem impedido o MST de se tornar um ator social relevante.

Formou à sua volta uma claque cuja lealdade cultua seu líder e não admite dissidentes. Que o diga José Rainha, o dirigente que afrontou Stédile e acabou exilado no Pontal do Paranapanema, juntamente com o seu MST do B.

"Demonização do MST": são tolas as afirmações sobre iniciativas que supostamente pretenderiam criminalizar a organização. É certo que há setores do empresariado rural que gostariam de liquidar o MST, refletindo sua histórica truculência, mas são irrelevantes em sua expressão social. Denúncias sobre criminalização soam ridículas, em face dos inúmeros atos de óbvia ilicitude. O argumento ignora a democratização e seus imperativos, sendo um absurdo lógico. Ou almejamos uma democracia sob a qual os preceitos legais não valeriam para alguns?

O maior desafio: qual a legitimidade do MST? Ninguém sabe, embora tantas vozes arvorem sua existência. Seus supostos líderes foram escolhidos quando e por quem? E sob qual espaço público, como seria esperado em uma sociedade democrática? Sem legitimação, por que se curvar às suas imposições? Qual é a base social do movimento, alguém saberia dizer? Aqueles que seguem suas ações, militantes ou simpatizantes, fazem-no voluntariamente, porque acreditam no MST, ou porque não têm outra escolha, pois recrutados em assentamentos sob seu domínio, onde controla recursos (públicos) e seleciona politicamente os assentados?

A grande pergunta: é um enigma que as autoridades não exijam a institucionalização do MST. Sobrevivendo primordialmente dos fundos públicos, o Estado tem o direito, senão o dever, de impor tal exigência.

Os requerimentos da transparência e publicização são repetidos monotonamente para todos os outros atores políticos, mas, estranhamente, ao movimento é permitido permanecer alheio à mesma institucionalidade. Se integrado, seriam legítimos seus líderes e as reivindicações, e suas disputas sociais se tornariam parte do ordenamento democrático, obtendo alguma tolerância pública. Se o movimento se recusa a esta mudança, preso a um bizarro fetiche ideológico de origem, somente o governo poderá impô-la, bastando ameaçar o acesso aos fundos públicos.

A vitória principal: na realidade, não tem sido manter viva a reforma agrária, ainda que sob crescente esgarçar. A maior vitória do MST é essencialmente política. Qual seja, mudar a correlação de forças no campo, o que é evidenciado por fato incontornável: não existe hoje nenhuma propriedade rural protegida, caso o MST decida conquistá-la. Com a democratização, a Justiça se tornou mais compreensiva e mesmo a repressão policial foi abrandada, deixando de registrar a inominável violência do passado.

Sob tais condições, a organização conquista o imóvel que ambicionar. A ironia, contudo, é que esta virada vem ocorrendo quando a demanda pelo acesso à terra desaba em todos os rincões rurais, erodida pela urbanização. Uma vitória pírrica, pois quando finalmente viável, a reforma agrária estancou, já que os interessados debandaram.

E o futuro? O MST se defronta hoje com o seu ocaso e tem apenas um caminho à sua frente. Qual seja, a sua institucionalização, organizando-se a favor do desenvolvimento rural e privilegiando os mais pobres das áreas rurais. Mantendo-se como é atualmente, apenas acentua sua lenta agonia, ainda que tantos cientistas sociais ingênuos propaguem manifestações de inacreditável desconhecimento sobre o mundo rural brasileiro. Nascido para defender a reforma agrária, esta viu passar o seu tempo histórico. Avançou o que foi possível, mas encontra em nossos dias os seus limites de necessidade.

Ainda sem sucesso, o MST tem procurado afirmar uma nova agenda ("ódio à ciência, ódio à agricultura moderna, ódio ao empresariado rural"), em nítido desespero demonstrado por tantas iniciativas delirantes, seja por se manter sob um não democrático anacronismo organizacional, seja por defender uma ideologia antimoderna. Se persistir neste rumo, apenas apressará o seu desaparecimento. Folha de São Paulo

ZANDER NAVARRO, 58, mestre e doutor em sociologia, é professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisador visitante do Instituto de Estudos sobre o Desenvolvimento da Universidade de Sussex (Inglaterra). Atualmente integra a Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

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